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Como comparar tecnologias em cenários de Crise Climática?

Como comparar tecnologias em cenários de Crise Climática?

11 de junho de 2026

Como podemos manter a comunicação ativa quando as redes que utilizamos diariamente deixam de funcionar? Essa foi uma das perguntas que orientaram o início de nossa pesquisa no projeto Tridecs.

Diante dos impactos que eventos climáticos extremos podem causar sobre a infraestrutura de comunicação, queríamos identificar quais tecnologias já vinham sendo utilizadas em situações de emergência e desastre climático. Para isso, iniciamos um estudo de referência (benchmarking) voltado ao mapeamento de soluções de comunicação empregadas em diferentes contextos ao redor do mundo.

No começo da investigação, uma pergunta nos acompanhava: existiria alguma tecnologia capaz de resolver, sozinha, os problemas de comunicação gerados por um desastre climático?

À medida que avançávamos no mapeamento, a resposta começou a ficar mais nítida. As necessidades de comunicação observadas em situações de emergência eram muito variadas. Em alguns casos, o desafio era permitir a troca de informações entre pessoas de uma comunidade. Em outros, era coordenar equipes de resposta e resgate. Em outros, ainda, era transmitir alertas, organizar recursos ou compartilhar informações sobre áreas afetadas.

Cada necessidade parecia apontar para tecnologias diferentes. Algumas soluções se destacavam pela facilidade de implementação. Outras pela capacidade de operar sem infraestrutura convencional. Outras ainda pela cobertura geográfica ou pela robustez em cenários críticos. Então, em vez de encontrar uma tecnologia capaz de resolver todos os problemas, encontramos um conjunto de ferramentas com características complementares.

Foi nesse momento que surgiu um novo desafio.

Se a resiliência comunicacional depende da combinação de diferentes tecnologias, como compará-las de forma consistente? Como avaliar, a partir dos mesmos critérios, soluções tão distintas quanto redes Wi-Fi em malha, sistemas via satélite ou sensores remotos?

Comparar apenas as funcionalidades de cada tecnologia não resolvia o problema. Saber o que uma ferramenta faz é importante, mas não suficiente quando pensamos em sua utilização durante uma emergência. Também precisávamos entender em quais condições ela funciona, quais recursos exige para operar, quem consegue utilizá-la e quais limitações podem surgir em um cenário real de desastre climático.

Para responder a essas questões, passamos a registrar cada tecnologia em fichas técnicas padronizadas. A ideia era simples: criar uma base comum que permitisse analisar tecnologias diferentes a partir dos mesmos aspectos. Cada ficha foi organizada em torno de nove pontos:

  1. Descrição técnica: o que é a tecnologia e como funciona;
  2. Funcionalidade: o que ela efetivamente faz ou mede;
  3. Contexto de desastre: como se comporta em situações críticas reais;
  4. Infraestrutura básica: o que é necessário para sua operação;
  5. Exemplos de aplicação: casos documentados de uso em campo;
  6. Atores envolvidos: quem opera e mantém a tecnologia;
  7. Localização dos dados: onde as informações circulam e são armazenadas;
  8. Aspectos regulatórios: quais normas e exigências legais estão relacionadas ao seu uso;
  9. Acesso da sociedade civil: quão acessível a tecnologia é para comunidades e organizações.

Esses aspectos surgiram a partir de perguntas recorrentes durante o próprio processo de pesquisa.

  • A tecnologia continua funcionando sem energia elétrica?
  • Ela depende de Internet ou de alguma infraestrutura que pode ser interrompida?
  • Quem consegue operá-la em campo?
  • É fácil transportá-la?
  • Está ao alcance de comunidades e equipes de resposta e resgate?

Ao organizar as informações dessa forma, passamos a enxergar padrões que não eram tão óbvios quando observávamos cada tecnologia isoladamente. Soluções muito diferentes puderam ser comparadas a partir de uma mesma estrutura analítica, permitindo identificar não apenas suas funcionalidades, mas também suas condições reais de uso.

O objetivo desse mapeamento nunca foi encontrar uma tecnologia “vencedora”. O que buscávamos era construir uma forma consistente de avaliar possibilidades, compreender seus limites e identificar quais soluções apresentavam maior potencial para compor estratégias de comunicação resilientes em cenários de crise climática.

As fichas técnicas se tornaram, assim, uma etapa norteadora da pesquisa técnica. Elas organizaram o conhecimento produzido no mapeamento e serviram de base para a construção dos critérios que orientaram a seleção das tecnologias que avançarão para as fases seguintes de análise e teste.

Nos próximos registros deste Diário de Projeto, apresentaremos como esse mapeamento ajudou a criar os critérios de seleção tecnológica e quais tecnologias avançaram para a fase de testes. A partir daí, detalharemos seus usos potenciais, desafios de implementação e aplicações em campo. Fiquem com a gente!

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